Silvério acordou empolgado, pois já era sexta feira. Somente 9 horas para começar o final de semana. Caminhava humildemente para o trabalho em um dia de sol. Eram 7h30 da manhã quando parou para comprar um maço de cigarros e um energético, pois sexta era dia. Quando estava chegando próximo ao trabalho, um rapaz marrom, de blusa e um pouco judiado, lhe pergunta:
- Por favor, como faço pra chegar no metrô Vila Mariana?
- Ih, rapaz. Tá meio longe. Mais fácil você ir de metrô – respondeu Silvério.
- Então... o problema é que estou sem dinheiro para o bilhete único.
- Entendi. Pergunte ao taxista então.
- Já perguntei, mas ele não soube informar.
- Ah. Então... É complicado explicar.
Houve uma pausa em que o rapaz marrom colocou as mãos no bolso da blusa, fixou os olhos em Silvério e disse:
- Você já percebeu que eu to calmo né?
Silvério balançou a cabeça.
- Então, isso é um assalto. Nem pensa em correr porque tem mais um ali na frente e eu te encho de bala. Eu sou ladrão profissional, rapaz.Vamo ali no canto jow. Vai tirando tudo ai do bolso.
Foram até o canto e Silvério sacou o celular e sua carteira de motorista que estava no plástico junto com um bilhete único, o cartão do banco e dois reais em dinheiro. Silvério estava mudo, porém tranqüilo. Até estava esboçando um leve sorriso, mas o meliante não percebeu.
- E passa a carteira ai também! – Solicitou o marrom.
- Não é carteira, é o maço de cigarros.
- Então me passa que eu fumo também.
Com muito pesar, Silvério entregou o maço que havia acabado de comprar e mais um com 4 cigarros e o isqueiro dentro.
- E esse tênis ai? Deixa eu ver...
Ai que Silvério perdeu a paciência.
- Ah não! Esse tênis aqui está velhão. E eu não vou trabalhar descalço!
- Beleza. Pode vazar então.
- Ah... e o celular também, você nem vai querer. Ele não é de chip e o visor está zuado.
O Trombadinha pegou, olhou, confirmou as informações e devolveu ao pobre trabalhador.
- Também a carteira de motorista. É documento, você não vai precisar e é muito trabalho tirar outra.
O homem marrom retirou a carteira do plástico e devolveu ao Silvério.
- Poxa, você poderia devolver o isqueiro que está no maço com 4 cigarros também, por favor?
Já meio sem paciência o meliante devolveu o maço de cigarros quase vazio e seu isqueiro.
- Vai, agora vaza – disse o marrom.
Após alguns passos longe do ladrão, Silvério pensou no que ele perdeu: um bilhete único, porém sem créditos; um cartão de débito com a conta zerada; dois reais e; um maço novo de cigarros. Pensou: “Maldito ladrão, roubou meu cigarro!”. Colocou a mão no bolso, pegou o maço vazio, acendeu um cigarro e deu um sorriso: “ainda bem que me restam alguns.”
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