quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Assalto

Silvério acordou empolgado, pois já era sexta feira. Somente 9 horas para começar o final de semana. Caminhava humildemente para o trabalho em um dia de sol. Eram 7h30 da manhã quando parou para comprar um maço de cigarros e um energético, pois sexta era dia. Quando estava chegando próximo ao trabalho, um rapaz marrom, de blusa e um pouco judiado, lhe pergunta:

- Por favor, como faço pra chegar no metrô Vila Mariana?

- Ih, rapaz. Tá meio longe. Mais fácil você ir de metrô – respondeu Silvério.

- Então... o problema é que estou sem dinheiro para o bilhete único.

- Entendi. Pergunte ao taxista então.

- Já perguntei, mas ele não soube informar.

- Ah. Então... É complicado explicar.

Houve uma pausa em que o rapaz marrom colocou as mãos no bolso da blusa, fixou os olhos em Silvério e disse:

- Você já percebeu que eu to calmo né?

Silvério balançou a cabeça.

- Então, isso é um assalto. Nem pensa em correr porque tem mais um ali na frente e eu te encho de bala. Eu sou ladrão profissional, rapaz.Vamo ali no canto jow. Vai tirando tudo ai do bolso.

Foram até o canto e Silvério sacou o celular e sua carteira de motorista que estava no plástico junto com um bilhete único, o cartão do banco e dois reais em dinheiro. Silvério estava mudo, porém tranqüilo. Até estava esboçando um leve sorriso, mas o meliante não percebeu.

- E passa a carteira ai também! – Solicitou o marrom.

- Não é carteira, é o maço de cigarros.

- Então me passa que eu fumo também.

Com muito pesar, Silvério entregou o maço que havia acabado de comprar e mais um com 4 cigarros e o isqueiro dentro.

- E esse tênis ai? Deixa eu ver...

Ai que Silvério perdeu a paciência.

- Ah não! Esse tênis aqui está velhão. E eu não vou trabalhar descalço!

- Beleza. Pode vazar então.

- Ah... e o celular também, você nem vai querer. Ele não é de chip e o visor está zuado.

O Trombadinha pegou, olhou, confirmou as informações e devolveu ao pobre trabalhador.

- Também a carteira de motorista. É documento, você não vai precisar e é muito trabalho tirar outra.

O homem marrom retirou a carteira do plástico e devolveu ao Silvério.

- Poxa, você poderia devolver o isqueiro que está no maço com 4 cigarros também, por favor?

Já meio sem paciência o meliante devolveu o maço de cigarros quase vazio e seu isqueiro.

- Vai, agora vaza – disse o marrom.

Após alguns passos longe do ladrão, Silvério pensou no que ele perdeu: um bilhete único, porém sem créditos; um cartão de débito com a conta zerada; dois reais e; um maço novo de cigarros. Pensou: “Maldito ladrão, roubou meu cigarro!”. Colocou a mão no bolso, pegou o maço vazio, acendeu um cigarro e deu um sorriso: “ainda bem que me restam alguns.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário