quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Série Família - Bêbado

Bêbado. Foi assim que Enrico chegou em casa às 4h da manhã de sábado. E como todo bêbado “sóbrio”, a única coisa que raciocina bem, é fazer o menor barulho possível, ou tentar, já que em 99% dos casos, o molho de chaves sempre cai no chão, e o planejamento vai por água abaixo, pois culpando a maldita lei da gravidade (que também quer levar o bêbado ao chão), xinga o inofensivo molho de chaves de todos os palavrões possíveis. E o pior, em voz alta.

Com o Enrico não foi diferente. Apenas incluiu um item a mais no planejamento furado: deu um soco na porta para aliviar a raiva. Digamos que a meta de entrar em casa em silêncio foi batida em menos 20%. Também se tivesse batido em 100% de nada adiantaria, pois Raquel já o esperava no escuro da sala, sentada no sofá segurando apenas uma vela acesa. A vizinhança inteira ouviu o grito de susto de Enrico. Depois de 1 minuto olhando para a figura sentada ao sofá, o bêbado reconheceu ser uma pessoa de carne e osso, mas mesmo assim não reconheceu quem.

-Sogra? – tentou Enrico.

É, tentou. Mas foi a pior tentativa.

-Além de você chegar bêbado, fedendo a guarda chuva molhado, as 5h da manhã (chegou realmente as 4h, mas mulher sempre aumenta pra causar mais impacto a bronca), você ainda me confunde com minha mãe?? Já que estou sem sono, o SENHOR trate de sentar ai e TENTAR me explicar o que aconteceu com o “Amorzinho...só vou até a padaria comprar um pãozinho e já volto. Você quer um sorvete né”? Sendo que não vejo nenhum pão e de sorvete só vejo esse palito grudado no seu cabelo! – e com um puxão, arrancou o palito com tanta força que quase arrancou o couro cabeludo do rapaz.

-Minha Uvinha...

-Pode cortar esse “mimimi”! Sem Uvinha, ou Kellzinha, ou o cacete que for! Explica!

Ainda assustado com a imagem de sua esposa segurando a vela na mão e ainda aos berros, Enrico tremia.

-Então. Eu fui até a padaria, mas encontrei uns amigos. Ai eu comprei os pães e fomos para um bar ali perto. Começamos a tomar uma cervejinha aqui, outra ali, mas faltava o tira gosto. Foi ai que o pão entrou na história. – e foi ai que Raquel foi ficando vermelha. – Pedimos uma porção de calabresa frita. E sabe como é a padaria do Sr. Homero, cobra até os cubos de gelo de uma bebida. Então para não cobrar os pães que acompanham a porção, usei o que tinha comprado. – de vermelha, Raquel começou a ficar roxa. – Então papo vai, papo vem, e acabaram-se as cervejas, mas incrivelmente meu relógio ainda marcava 22h30. Achei legal tem me divertido tanto e ter passado só 15 minutos. Mas também achei estranho. Até que o pessoal começou a ir embora e eu dizia: ‘é cedo galera! 22h30 ainda.’ Mas tinha a sensação de ter passado umas 3 horas. E o pessoal ria de mim. Foi quando o garçom disse: ‘você gosta tanto de beber que até finge que o tempo parou pra continuar. Hehe.’ Foi ai que meu raciocínio rápido entrou em ação (na verdade Enrico demorou uns 3 minutos pra entender a piada do garçom). Olhei para o relógio na parede e vi que já eram 2h da manhã. Fui correndo procurar algum lugar para correndo, pois a padaria já estava fechada, mas não encontrei nenhum lugar. Então, como a padaria abre as 3h30, eu fiquei lá em frente esperando abrir. Assim que abriu eu comprei dois sorvetes, pois eu queria um também. No caminho de volta, estava saboreando o meu, quando um mendigo me assaltou. Puxou a sacolinha que tinha colocado o seu sorvete. Como eu estava com as mão ocupadas, precisava de algum lugar para deixar o meu sorvete enquanto tentava tirar a sacola da mão do mendigo. O único lugar limpo ali era minha cabeça. Então comecei a lutar. Foi ai que num berro, o mendigo conseguiu atrair mais uns 7 ou 8 da mesma raça. Saíam de tudo quanto é lado: lata de lixo, debaixo de carros, boca de lobo. Fiquei tão assustado que larguei a sacolinha lá e corri feito um louco de medo. Quando percebi que eles desistiram de mim, sentei na calçada para recuperar o fôlego. Baixei a cabeça e comecei a respirar. Foi quando um cachorro tão bonzinho começou a lamber minha cabeça. Ficou ali durante uns 2 minutos e eu estava gostando, pois ele estava fazendo uma massagem boa. Então quando ele parou eu já estava melhor. Levantei e vim pra casa as 4h. E foi isso amor. Cheguei tarde, mas aconteceram muitas coisas.

Enrico parou de falar e ficou olhando Raquel esperando para ver qual seria as primeiras palavras.

-Só isso? – perguntou sua esposa.

-Só isso.

-Tudo bem. Boa noite.

-B...boa noite – gaguejou Enrico. – Você não está mais brava?

-Não. To cansada pra brigar com você.

Enrico sorriu triunfante como quem conseguisse enganar até a morte. Quando foi levantar para ir dormir, ainda com sorriso no rosto, Raquel disse:

-Se quiser comer alguma coisa, tem pão ali na mesa e sorvete na geladeira. Homero passou aqui em casa e trouxe pra mim explicando que talvez você não iria conseguir voltar pra casa tão cedo, já que ele te viu no bar dançando o “Créu” em cima da mesa do bar só de cuecas.

Enrico arregalou os olhos e lembrou que faltou só um detalhe para que ela acreditasse nele e não no seu amigo. Tinha esquecido as roupas no bar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Barriguinha ou Tanquinho??

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.

Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores – e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.

E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental:

Homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.

Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.

Texto extraído de Uhull.